Sindi, o futuro já chegou


Reportagem de Márcia Benevenuto publicada na revista ABCZ, em Especial Raças.

O Sindi da Ásia, que teve em sua origem mais de sete mil anos de evolução natural, chegou por aqui há um bom tempo. Há relatos da vinda de azebuados vermelhos, os bovinos chamados “china” em meados de 1828. Nos registros oficiais da ABCCSindi (Rinaldo dos Santos 2011), constam o início da criação de Cezário José de Castilho em 1899, a importação de um lote por Ravísio Lemos e Manoel Prata em 1930, a apresentação do rebanho puro de José Cezário de Castilho ao Registro Genealógico em 1945 e a importação pelo Instituto Agronômico do Norte, coordenada por Felisberto de Camargo em 1952. Dessa parte da história até o momento atual, o conhecimento empírico de que os rebanhos “...acabavam dando mais lucro, pois garantiam um grande rendimento no momento do abate...” foram constatados por criadores, usuários da genética do Sindi e pesquisadores. A visão empreendedora dos pioneiros da raça Sindi se provou correta e a crença no potencial do gado vermelho ecoa forte por todo o Brasil e reflete no banco de dados da centenária ABCZ. A lista de criadores que registram Sindi tem cerca de 400 nomes e os gráficos exibidos em uma análise de dados das comunicações da entidade surpreendem. Entre 2010 e 2017 o registro de nascimentos cresceu em média 13% ao ano e chegou em um acumulado de 120%.
“Esses números traduzem o que a gente sabe na prática. O Sindi está sempre a frente em de taxa de prenhez, peso das desmamas e taxa de natalidade. Problema com vacas que rejeita a cria é praticamente zero. E mesmo em condições adversas, com restrição alimentar e pouca água, o Sindi se mantém produtivo e prolífico. Nós temos 38 anos no mercado seletivo e 8 anos criando Sindi. A nossa venda de touros teve crescimento da ordem de 40%. Pecuaristas que me compravam um lote 10 touros, com um ou dois Sindi entre os reprodutores Nelore, hoje voltam e fazem o investimento inverso”, diz o técnico da ABCZ e criador, José Eduardo do Anjos.
Um aumento de 87% na comunicação de embriões indica um acréscimo significativo no uso de tecnologias de reprodução assistida. “Em termos de tecnologia, além da reprodução e das avaliações para melhoramento genético, destaco na questão do leite, as pesquisas que estão sendo feitas a partir de genotipagem. O resultado dos testes de DNA para o alelo da beta caseína, deram acima de 95% na minha propriedade. Nas demais fazendas e em institutos, como o IZ, sabemos que a marca está sempre acima de 90%. Isso indica uma incidência muito maior dos genes relacionados a essa proteína boa no gado Sindi. Isso é uma grande vantagem agregada aos índices de teores de gordura e sólidos que também superam várias raças especializadas”, diz o criador Eduardo Henrique Oliveira, da Fazenda Asa Branca, de Brasília, DF.
O rebanho Sindi está presente em quase todo o país, avançando rápido em estados do Centro Oeste e com uma concentração superior nas regiões Sudeste e Nordeste. O criador Jesualdo Marques, da Fazenda São Geraldo, RN, destaca o sucesso do Sindi em terrenos inóspitos. “Houve até desconfiança por parte dos vizinhos e criadores da região, mas hoje temos o reconhecimento de que a raça é a que melhor se adapta às diversas formas de manejo no nosso Semiárido nordestino. Diante de tantas qualidades, do temperamento irretocável e o apego aos animais como se fossem de estimação, digo que não a trocaria por nenhuma outra”, diz Jesualdo.
A vizinha Paraíba é outro forte polo forte da raça, com o Sindi representando 50% do rebanho. O técnico da ABCZ, Luciano Bezerra atende 32 criatórios de animais puros registrados e destaca o mérito da genética. “Com as adversidades climáticas de nosso planeta, expressadas em rigorosas variáveis na nossa região a raça se mostra superior as outras em todos os aspectos, principalmente em índices de proliferação de crias, volume e qualidade do leite produzido e conversação maior em arrobas de carne. Podemos comprovar através do Sindi que existe realmente a questão da lei de seleção natural essa expressa por Darwin; da Lei do Uso e Desuso de Lamark e da segregação genética de Mendell”, reforça o engenheiro agrônomo.
“A raça Sindi atualmente vem ocupando um lugar de destaque na pecuária nacional, principalmente pelas qualidades que estão sendo descobertas e propagadas entre os grandes pecuaristas e os criadores tradicionais de outras raças. O Sindi tem potencial para incrementar a produtividade dos rebanhos por se tratar de um gado rústico, precoce e eficiente, que produz mais carne e leite por hectare”, avalia o criador Alvaro Borba, representante do Sindi P, Fazenda Riacho do Navio, PB.
No frio da região serrana do Rio de Janeiro o rebanho Sindi também chama atenção. “Esse gado milenar, que ficou esquecido por séculos no norte da Ásia, pode ter surgido atualmente como um trunfo capaz de promover uma revolução da pecuária mundial por seus resultados que nunca vistos antes em uma única raça. Aqui nas serras, com sua rusticidade, o Sindi apresenta resultados tão bons quanto os animais criados nas planícies do Centro Oeste. No inverno, quando temos temperaturas abaixo dos 10 graus, o Sindi já demonstrou grande adaptação”, conta o criador Gilberto Browne, do Sindi Rajasthan, da cidade de Duas Barras, RJ.


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