A história do Sindi reconhecida na outorga da Comenda Felisberto de Camargo
A história do Sindi reconhecida na outorga da Comenda Felisberto de Camargo
A história do Sindi reconhecida na outorga da Comenda Felisberto de Camargo

A história do Sindi reconhecida na outorga da Comenda Felisberto de Camargo

Na abertura do Leilão Las Bela Brasil a ABCSindi prestou homenagem a quatro selecionadores que fazem história e muito contribuíram para a consolidação da raça Sindi. Adir do Carmo Leonel (in memorian) da Sindi Adir e Estância 2L, José Humberto Vilela Martins do Sindi Camparino, Marcos Rodrigues da Cunha (in memorian) do Sindi Raja e Ronaldo Andrade Bichuette do Sindi da Bom Jesus.

Os presidentes Gabriel Garcia Cid da ABCZ e Orlando Procópio entregaram um diploma e a medalha Dr. Felisberto de Camargo aos criadores e representantes.

“A comenda simboliza a gratidão de toda a família ABCSindi ao legado desses homens admiráveis que desenvolveram e desenvolvem um trabalho essencial, relevante e de grande impacto para a nossa raça e a nossa associação. São nossos mestres e nossos amigos. Em comum destaco a generosidade para ensinar, a coragem para defender e a fé para investir tempo, talento e recursos no Sindi”, concluiu o presidente Orlando.

 

Na sequencia os textos sobre os agraciados que foi lido no cerimonial.

 

A Associação Brasileira de Criadores de Sindi (ABCSindi) outorga nesta noite a quatro grandes criadores que são pilares da consolidação da raça. A Medalha do Mérito Dr. Felisberto Camargo, distinção máxima da entidade foi idealizada para sempre registrar a inexorável contribuição do pesquisador – que trouxe do Paquistão, num avião cargueiro inglês fretado, 31 animais Sindi, sendo 28 fêmeas e três reprodutores e lutou com bravura contra um governo inteiro para finalizar a missão, arriscando a própria vida.

 

 

José Humberto Villela Martins é mineiro natural de Ituiutaba e um cidadão mato-grossense de coração. O Zezão como muitos se referem com carinho tem a vida dedicada à pecuária.
Nosso homenageado mantem a tradição que vem da raiz de família, mas de seu jeitinho moldando ao longo de mais de 6 décadas os conceitos próprios de um trabalho muito particular do consagrado “Zebu que Paga a Conta”.
E para reforçar a mensagem do slogam, há cerca de 20 anos, Sr Zé Humberto juntou a seleção do Nelore e do Nelore Mocho, o Sindi da Camparino, e desde então vem desenvolvendo um trabalho honesto, consistente e admirável.
Iniciou na Fazenda Mandengo, localizada em Quirinópolis, Goiás e desde 1993 exerce seu ofício de criar na Camparino, em Cáceres, Mato Gross onde mantém a porteira sempre aberta aos amigos e estudantes que queiram aprender um pouco mais de Zebu e muito de vida.

 

 

Ronaldo Andrade Bichuette… BichuÊti como ele gosta de falar, descendente de libaneses é o guardião da marca JNB e da centenária sede da Fazenda Bom Jesus, em Veríssimo, onde mantém o plantel Sindi da Bom Jesus e o Haras 42 de cavalos Mangalarga, berço do Campeão Nacional Don Juan.
Membro vitalício do Conselho Consultivo da ABCSindi, presidiu nossa entidade em duas gestões, de 2016 até 2020, recebeu a comenda de mérito ABCZ em 2023 e foi o primeiro Sindista a ocupar o posto de 1º vice-presidente da maior entidade de representação do zebu do mundo, no mandato de Arnaldo Manuel.
Ronaldo é uberabense, poeta sensível de coração e engenheiro de ofício, construtor de pontes. Assim como o admirado Jhonnye Walker que rodou o mundo, Ronaldo rodou o Brasil e para realizar uma de suas maiores obras… a qual, diz Careca, seu amigo, que foi a mais eficiente interligação da raça Sindi, entre os núcleos de criadores e os troncos genéticos do Nordeste com o Sudeste.
Nas suas andanças passou por Brasília e Pernambuco algumas vezes, labutando em idas e vindas até conseguir a liberação e o registro do rebanho da Embrapa de Petrolina, no lote de 2.015.
Nosso presidente Ronaldo, entre inúmeras ações, foi também quem idealizou junto com o amigo Adir o 1º Fórum Técnico da Raça Sindi, e a franquia institucional do Leilão Las Bela Brasil. E ele também sabe jogar! Ronaldo um dia deu uma “trucada” em quem precisava viabilizar a construção da atual sede da ABCSindi, a esquina mais lugar querida de todos os sócios e a mais movimentada do Parque Fernando Costa.
Ronaldo sabe ser chique e usar terno de engenheiro sim, mas ele gosta mesmo é de ser fazendeiro raiz, para plantar, criar e depois ouvir moda boa, lembrando os tempos de tropeiro, enrolando um paieiro, admirando o colorido do arrebol.

 

Adir do Carmo Leonel por toda a sua vida de produtor rural, foi um defensor implacável do melhoramento genético de animais de raças zebuínas, preservando a sua pureza racial. Para ele, esse era um ponto inegociável que era demonstrado em toda exposição em que pisou como jurado. Gostava de contar que começou pelo Nordeste, em Campina Grande que foi um ponto de partida para Adir se tornar um dos mais respeitados de sua classe e uma referência para centenas de discípulos que o seguem dentro e fora do Brasil, cuidando de cada mínimo traço e característica racial que preservam na seleção a pureza dos zebuínos.
Adir do Carmo Leonel, titular do Grupo Adir, nascido em 1938, construiu um plantel expoente a partir de duas fazendas, uma localizada em Ribeirão Preto (SP), e outra no município de Nova Crixás, na região do Vale do Araguaia, em Goiás.
Material genético com a marca 2L, como sêmen e embriões, é exportado para mais de uma dezena de países.
Nos idos dos anos 70 firmou um forte compromisso para a defesa de um tipo de seleção que não abre da caracterização, morfologia equilibrada e harmônica, O trabalho em suas fazendas influenciou muitos criadores. Como um árduo defensor das virtudes inatas do Sindi, ele contribuiu para a criação do Fórum Técnico da Raça com foco na força e características distintas, da dupla aptidão, da resistência e da adaptabilidade ao clima e ao ambiente dos trópicos.
Adir Leonel ocupou inúmeras cadeiras de representatividade e liderança, na ABCZ, Sindicatos Rurais, Conselho Técnico.

 

Marcos Rodrigues da Cunha foi um agropecuarista de grande destaque em Jataí, Goiás, reconhecido nacionalmente pelo trabalho de excelência na criação e melhoramento genético da raça Sindi. Seu nome está profundamente ligado à história da pecuária brasileira, com raízes que remontam a quase um século. Desde pequeno, Marcos cresceu entre boiadas e currais, herdando da família o amor pela lida no campo e a paixão pela criação.
Engenheiro Agrônomo pela tradicional Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), dedicou sua vida ao aprimoramento da pecuária seletiva, consolidando o plantel Sindi Raja como uma referência nacional na raça Sindi. Com dedicação, conhecimento e visão, contribuiu para a valorização genética do rebanho Sindi nacional e deixou sua marca permanente no setor.
Marcos tinha grande admiração pelo trabalho dos selecionadores do Nordeste e bebia dessa fonte com orgulho e honra para valorizar em nível nacional as ramificações alicerçadas no Sertão e na Caatinga. Acreditava tanto na região que antes de partir investiu em terras da Bahia para iniciar mais um projeto no berço do red sindhi.
Marcos construiu também uma bela história familiar. Foi casado com Lydia Assis Rodrigues da Cunha e juntos tiveram três filhos: Taisa Machado Rodrigues da Cunha, Rodrigo Assis Rodrigues da Cunha e Tatiana Machado Rodrigues da Cunha. Sua família cresceu com a chegada dos netos Gustavo, Carolina, Daniel e Luisa, que eram motivo de grande orgulho e alegria em sua vida.
Com sua partida aos 69 anos, Marcos deixou não apenas um legado de trabalho e inovação na pecuária, mas também boas memórias e ensinamentos preciosos para sua família e amigos próximos.
Sua história de vida é fonte de inspiração para aqueles que o conheceram e que agora carregam a responsabilidade de honrar e continuar o que foi iniciado por ele.

 

 

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